A volta ao mundo em 80 vinhos - o Líbano

Atualizado: há 5 dias

Quando pensamos em regiões produtoras de vinho, raramente pensamos no Líbano. Mas a verdade é que é um país com uma longa tradição no cultivo da vinha e na comercialização do vinho.


Onde é que fica o Líbano?

O Líbano é um país localizado numa região de ligação entre a Ásia e a Europa, com a capital em Beirute, que faz fronteira a norte e a leste com a Síria, a sul com Israel, e a oeste com o Chipre pelo Mar Mediterrâneo.


Desde quando é que o Líbano produz vinho?

No Líbano, há indícios de produção de vinho desde 3000 a.C. Os fenícios, originários da região (a antiga Canaã), foram os primeiros a fazer com que o vinho tivesse um valor económico. Graças à sua frota marítima, levaram as suas ânforas e os seus conhecimentos a quase toda a área mediterrânica: Egipto, Chipre, Grécia, Itália e Espanha.


Na Idade Média, os comerciantes venezianos vendiam o vinho libanês por toda a Europa, mas a integração do Líbano no Império Otomano em 1517 quase matou a viticultura: era proibido fazer vinho, excepto por motivos religiosos. Foram os monges jesuítas que em 1857 fundaram o Chateau Ksara no Vale do Beca, e foram por isso, quem manteve as tradições e as terras de cultivo.


O país esteve sob administração francesa entre 1920 e 1943, e isso explica a predominância das castas de Bordéus e do Rhône que ainda hoje é visível: Cabernet Sauvignon, Merlot, Carignan, Cinsault, Chardonnay e Clairette dominam as plantações. As castas Merwah e Obaideh, ambas brancas, serão, segundo Wine Grapes, sinonímias de Sémillon e Chardonnay, e não castas indígenas.


A estruturação das vinhas é muito recente, e por isso, em 1990, quando a guerra civil terminou, o Líbano tinha apenas 5 produtores: Chateau Ksara, Chateau Kefraya, Domaine des Tourelles, Chateau Nakad e Château Musar. Hoje tem 33. O país é contudo, e principalmente, produtor de uva de mesa. Dos 27000 hectares de vinha, apenas cerca de 20% se destina à produção de vinho.


Como é o clima do Líbano?

Com 300 dias de sol por ano, e quase 7 meses sem chuva, o clima libanês é mediterrânico, com Verões secos e normalmente muito quentes. Com tão pouca chuva e praticamente sem irrigação, a produção é muito baixa (uma média de 5ton/ha).


A única forma de conseguir produzir uvas num clima assim, é ter vinhas plantadas em altitude: há vinhas no Monte Líbano a oeste (Metn e Aley), a Jezzine no sul e em Batroun no norte (a 1400m de altitude), mas o Vale do Beca é de longe a principal área de viticultura. Produz 6 milhões dos 7,2 milhões de garrafas, e é onde está a maioria dos produtores de vinho. Neste planalto elevado, a 900m, estão a maioria das uvas do país, assim como trigo e haxixe. Não admira que os romanos lhe chamassem o “cesto do pão do império” – sempre foi um vale fértil para a agricultura. Para isso contribuiu a abundância de água disponível, graças à neve que derrete das cadeias montanhosas que o circundam (Monte Líbano e Anti-Líbano).


Que vinho provámos?

O nome mais famoso no Líbano é o de Château Musar. O vinho que provámos, o Musar Jeune Tinto 2016 (@Wines By Heart) é um lote de Cinsault (45%), Syrah (45%) e Cabernet Sauvignon (10%), de uvas que começaram a ser vindimadas no final de Agosto, no vale do Beca, a 1000m de altitude. Abunda em fruta madura e especiarias doces, e tem uns taninos muito suaves, sendo mais apropriado para o consumo imediato.





Fontes

https://timatkin.com/

https://www.jancisrobinson.com/

http://www.winesoflebanon.co.uk/

https://chateauksara.com/

https://chateaumusar.com

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